Quando o ódio se transforma em alternativa politica.

Institucionalizar algo:

Mas antes, o que significa institucionalizar o ódio? o que significa institucionalizar algo? Em suma, institucionalizar algo se refere a naturalizar e direcionar os indivíduos de uma sociedade para uma direção específica. De uma forma mais detalhada, quando se fala na Sociologia de instituições socias, não se refere às chamadas instituições formais como um banco, por exemplo. Na realidade, as instituições socias se referem a uma série de regras, normas e valores que são utilizados e compartilhados por uma sociedade para instrumentalizar determinado comportamento.

Nesse sentido, o casamento é considerado uma instituição social por se tratar de uma cerimônia carregada de valores, normas e assegurar um tipo de relacionamento e comportamento entre indivíduos socialmente legitimado e validado dentro de uma sociedade.

E onde se encontra o ódio nisso tudo? Simples, o ódio é uma emoção humana, assim como o afeto, logo, também se encontra sujeito a passar por institucionalizações socias, podendo ser utilizado como instrumento político. Trazendo para o cenário político atual, não é difícil enxergar o ódio sendo utilizado por grupos extremistas para mobilizar a campanha do candidato Flávio Bolsonaro. Este, por sua vez, se caracteriza como um incitador e condutor desse ódio político que nasce de premissas falaciosas pautadas não no bem coletivo, mas no terror moral, não em propostas de governo construtivas, mas a ataques direcionados.

Além disso, vale-se ressaltar que política não apenas se trata de ódio, mas também de afeto, e o ódio nasce da violação desse afeto com incitações morais direcionadas à grupos sociais que estariam “corrompendo” a sociedade e, consequentemente, violando esses afetos. E o problema desse tipo de lógica é que normalmente elas não possuem nenhum tipo de conexão verificável com a realidade aparente, além de promover discursos perigosos que ameaçam a Democracia e direitos historicamente conquistados na medida que os indivíduos apenas atribuem em seus julgamentos e “opiniões”- se é que falas preconceituosas e discursos de ódio podem ser chamadas de opiniões- políticas um juízo de valor – pautada na moral e nas crenças particulares- e não de realidade – ou visando a ética e um bem coletivo.

1984:

Por fim, ninguém melhor para ilustrar os riscos de uma sociedade fundamentada na instrumentalização do ódio do que o autor britânico do século XX George Orwell. Em seu livro “1984”, o autor apresenta uma sociedade utópica pautada no totalitarismo político cuja consequência é uma sociedade marcada pela violência, manipulação midiática e ignorância massificada. Longe de ser apenas um livro de ficção, a realidade descrita por Orwell assusta centenas de leitores ao redor do mundo por sua semelhança com formas de governo autoritários do século XXI.

Em síntese, é importante ter-se em mente tais exemplos de sociedades totalitárias pois a falta de imaginação também é um projeto político: A Democracia brasileira possui apenas 41 anos e é falta de imaginação acreditar que determinado cenário político não tem como piorar e que diretos conquistados não podem ser revogados se um governo de extrema direita chegar ao poder.

João Victor