“O Fascismo é o botão de emergência do Capitalsimo”:

Mas medo do que exatamente? Simples, da escassez. Por se viver em um modelo de mundo capitalista interconectado, esse sistema passa por crises financeiras ocasionais gerado pela competição de livre-mercado e, quando o capital acumalado nas mãos de poucas pessoas entra em crise, intensifica-se o cenário de pobreza, desemprego e miséria social advindo da exclusão das classes sociais de baixa renda. Entretanto, em tais situações de desespero e anomia social, dificilmente se fala em soluções que propõe a distribuição de renda, reformas agrárias e integração social, o povo, ensejando uma solução rápida para problemas complexos que estão diretamente lhe atingindo, escolhem soluções imediatistas que partem de premissas simples, propostas por aqueles que não desejam abrir mão de seus privilégios. Essa premissa, vale ressaltar, é o Fascismo que mascara os problemas estruturais do capitalismo ao propor soluções diretas e práticas tais como:

-Na segurança, ao invés de explorar a questão da integração das áreas periféricas e a promoção da qualidade de vida nelas, pode-se simplesmente construir mais presídios e então o problema estará resolvido!

-No trabalho, ao invés de revisar as condições de trabalho extremas às quais os trabalhadores estão submetidos, pode-se simplesmente afirmar que qualquer alteração na escala de trabalho causaria uma catástrofe econômica!

-Ao invés de investir-se em uma educação de qualidade nas escolas, pode-se simplesmente cortar fundos universitários cujo conhecimento não é relevante!

-Ao invés de distribuir e descentralizar a acumulação de riqueza visando uma justiça social mais ampla, pode-se simplesmente acusar as pessoas que recebem auxílios emergenciais de aproveitadoras e sanguesugas!

-Ao invés de tentar conviver com a diferença, aponta-se esta como a maior causadora de desvio moral, portanto, deve ser erradicada!

A Demagogia:
No seu livro “A Política”, Aristóteles ressalta a capacidade da maioria exercer sua tirania dentro de uma Democracia ao serem aliciados por demagogos que manipulam a maioria a agirem por interesses particulares manipulando o povo a acreditar se tratar de um bem coletivo e de um mal necessário.

De forma similar, o Facismo aparece como um mal necessário para o capitalismo se manter no poder, coagindo os indivíduos à ideias corruptas, violentas e fundamentadas pelo medo e pelo ódio.

No último Domigo, obeserva-se o resultado desse medo ao constatar a meteórica ascenção da extrema direita fascista ao ocuparem a maioria nas Câmaras de Deputados, no Senado e no Congresso, ou seja, hegemonizando nesse país os poderes executivo, legislativo e judiciário. Infelizmente, o medo também dominou o país e a abordagem violenta e reacionária será mais uma vez usada como solução simples para os problemas complexos e históricos do Brasil.

Então, conforme colocado no subtítulo do artigo, sim, Democracias falham. Entretanto, o mesmo povo que tem o poder de derrubar uma Democracia também tem o poder de traze-la de volta e conservamos a Democracia quando não cedemos ao medo, quando escolhemos ver além e não apenas nos contentamos com as soluções simples e rápidas. Em suma, conservamos a Democracia em nós quando decidimos resistir ao Fascismo e aos ideias da extrema-direita.

João Victor