Após sair na frente no primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) age rapidamente para consolidar apoios em vista do segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Do outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de recalcular sua estratégia após o resultado desfavorável nas urnas.
De acordo com apuração da analista de Política Jussara Soares, no CNN Prime Time, a campanha de Flávio Bolsonaro já movimenta os bastidores em busca de adesões. Além de recalcular a rota, Lula também partiu para ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) um dia após o primeiro turno.
Entre os apoios esperados, destaca-se o de Romeu Zema, ex-candidato pelo Novo, com um encontro previsto também com Ronaldo Caiado, ex-candidato do PSD, que deve formalizar seu apoio em breve. “Nos bastidores, isso está bem adiantado”, afirmou Jussara.
Além disso, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL), já trava conversas com partidos de centro, incluindo a Federação União Progressistas e o Podemos. O Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, reeleito governador de SP, também é esperado como apoiador.
Lula precisa recalcular a rota
Para Jussara Soares, a campanha de Lula está em um momento de reflexão e reorganização. “A campanha do Lula está tentando recalcular a rota, ou seja, está tendo que ver o que errou”, avaliou a analista.
Quem sai atrás no primeiro turno enfrenta maior dificuldade para angariar apoios, especialmente considerando que as demais candidaturas derrotadas estavam alinhadas ao campo da direita. Lula realizou uma reunião com figuras políticas expressivas da esquerda para tentar mobilizá-las na reta final da disputa.
A campanha petista deve concentrar esforços na região Sudeste. “O presidente Lula tem muita coisa para arrumar em casa antes de sair para a rua nesse segundo turno em busca desses votos”, concluiu Jussara.
A campanha também tem como meta reduzir a abstenção, que atingiu 21% no primeiro turno — índice considerado histórico. O âncora da CNN Márcio Gomes, lembrou que na última eleição, em 2022, a abstenção foi de 20,5%, uma diferença de apenas 0,5 ponto percentual.
Segundo o âncora, a tendência, contudo, é de que o segundo turno registre ainda menor comparecimento às urnas, sobretudo porque vários estados já definiram seus governadores no primeiro turno.
Lula fala de “promiscuidade” no STF
Na segunda-feira (5), o presidente Lula disse que está “carregando nas costas” o que chamou de “promiscuidade” do STF (Supremo Tribunal Federal), em uma das críticas mais duras feitas por ele à Corte desde o início da crise provocada pelo Banco Master e seu ex-contralador, Daniel Vorcaro.
Estratégia da direita: manter a guarda e ampliar a frente
Segundo o analista de Política Caio Junqueira, o principal recado dentro da campanha de Flávio Bolsonaro é o de “manter a guarda”. A diferença de aproximadamente 13 milhões de votos obtida no primeiro turno não é vista como garantia do resultado final.
A estratégia passa por manter o foco em temas econômicos, como o custo de vida, e por mobilizar figuras da direita vitoriosas no pleito — entre elas Tarcísio de Freitas, Douglas Ruas (PL), Sérgio Moro (PL), Cleitinho (Republicanos), além dos candidatos derrotados Ronaldo Caiado e Romeu Zema. “A ideia é ir como uma frente ampla de direita contra o presidente Lula para selar esse resultado no segundo turno”, explicou Caio.
O Nordeste também está no radar da campanha, que identificou uma votação expressiva da direita na região, a despeito das vitórias do PT na Bahia, no Ceará e no Piauí.
Com CNN







