Advogados que acompanham o caso Master relataram à CNN que a ideia inicial do banqueiro Daniel Vorcaro para uma delação premiada é mirar políticos e poupar o Supremo Tribunal Federal.
Pelo menos três motivos são colocados na mesa para esse desenho inicial, segundo fontes próximas a Vorcaro.
Primeiro, seria uma forma de obter a validação da Procuradoria-Geral da República para uma delação, tendo em vista a proximidade de Paulo Gonet com ministros do STF. Há a leitura de que o PGR dificilmente aceitaria uma delação que atingisse a Corte.
Em especial, devido a sua relação com Alexandre de Moraes, de quem se aproximou durante o inquérito da trama golpista. Moraes, em tese, poderia ser alvo de uma delação em razão do contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua mulher com Vorcaro.
Segundo, porque o novo advogado de Vorcaro, José Luis de Oliveira Lima, o Juca, levaria em conta as relações pessoais com a Corte, não colocaria em risco uma delação que atingisse o STF.
Fontes relataram à CNN que Juca é próximo do ministro Dias Toffoli, que, assim como Moraes, também poderia entrar em uma delação, dado negócio realizado entre o banco Master e um fundo do qual ele e familiares têm participação.
Terceiro, uma delação premiada que atinja altas Cortes de Brasília é considerada arriscada demais para o futuro profissional de qualquer escritório de advocacia. A lembrança mais recente é a própria Operação Lava Jato, que começou a ruir justamente quando começou a se aproximar do Judiciário.
A CNN procurou Juca neste domingo, mas ele disse que não se manifestaria.
Ele deve encontrar Vorcaro nesta semana para já começar as tratativas da delação.
A aposta é que ele, além de políticos, aborde também na delação crimes financeiros, ainda mais porque Juca defende também outro alvo das investigações, João Carlos Mansur, que fundou a hoje liquidada Reag, parceira do Master em diversas negociações. A avaliação, inclusive, é que Mansur pode também fazer uma delação premiada.
Fonte: CNN







