O Pix caiu no gosto do consumidor brasileiro pela praticidade, mas uma nova modalidade tem acendido o alerta de especialistas financeiros: o Pix no Crédito (ou Pix Parcelado). A ferramenta permite que o usuário faça um pagamento instantâneo mesmo sem ter saldo na conta, utilizando o limite do cartão de crédito ou uma linha de crédito pessoal programada.
Na prática, o recebedor ganha o dinheiro na hora, como em um Pix comum, enquanto quem paga assume uma dívida que será cobrada na fatura do cartão ou via débito automático em parcelas. Embora pareça uma solução imediata para emergências, a conveniência esconde um custo elevado que pode comprometer gravemente o orçamento doméstico.
O risco da “Bola de Neve”
O principal ponto de atenção são os juros, que variam conforme a instituição financeira. Diferente do Pix tradicional, que é gratuito para pessoas físicas, o Pix no Crédito é uma operação de empréstimo.
Exemplo Prático: Um Pix de R$ 1.000,00, parcelado em 12 vezes com juros de 5% ao mês, resulta em um montante final de R$ 1.795,85. Ou seja, o consumidor paga quase 80% a mais do que o valor original.
Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Microfinanças da FGV SP, alerta que a modalidade é perigosa para quem já está endividado. Atualmente, o brasileiro compromete, em média, 30% da sua renda com dívidas, e o acesso facilitado ao crédito instantâneo pode acelerar o superendividamento.
Regras e Transparência
Nem todo cliente tem acesso ao serviço. As instituições financeiras liberam a função baseadas em critérios próprios, geralmente atrelados ao limite disponível no cartão de crédito ou pré-aprovação de empréstimos. Antes de contratar, o consumidor deve ficar atento a:
- Taxas de Juros: Verifique o Custo Efetivo Total (CET) da operação.
- Tarifas de Contratação: Algumas instituições cobram uma taxa fixa por transação além dos juros.
- IOF: Por ser uma operação de crédito, há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras.
Segundo Ivo Mósca, diretor da Febraban, os bancos são obrigados a ser transparentes. “A regra é que o banco tem que ser muito claro na hora da contratação sobre quanto de juros será aplicado e como será cobrado”, afirma. A recomendação dos especialistas é utilizar o Pix no Crédito apenas em casos de extrema necessidade e quando houver certeza de que as parcelas caberão no orçamento futuro.
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