De onde vêm a crescente onda de ódio contra as mulheres?

Introdução:

De acordo com os dados coletados pelo Ministério de Justiça e Segurança Pública, 2025 bateu o recorde de casos de violência de gênero contra a mulher, registrando quatro mortes por dia, além de serem registrados mais de 3,6 milhões de casos de violência doméstica- na grande maioria dos casos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. E embora o ano tenha começado há pouco tempo, 2026 não indica a baixa dessas estatísticas. O que muitas brasileiras não conseguem entender é: De onde vem toda essa violência? E em um país em que nem crianças são poupadas, até quando a culpa vai ser da roupa que vestem?

 

Mudanças sociais:

Durante o século XX, mulheres de todo o mundo conquistaram direitos básicos tanto na esfera pública, quanto na privada com a primeira e segunda onda do feminismo e, mais importante, as mulheres conquistaram consciência. Tais mudanças entre os séculos XX e XXI operaram uma grande mudança de gênero vista nas relações de trabalho e nos relacionamentos: Mulheres vêm cada vez mais conquistando espaço e a se imporem dentro da sociedade. Além disso- embora ainda haja uma pressão social para que mulheres se casem e tenham filhos- mulheres não são mais educadas para serem simples espectros de uma figura masculina em suas vidas, mas sim a conquistarem sua própria independência financeira e pessoal. Todavia, embora a educação de gênero tenha acompanhado as conquistas femininas, a educação direcionada aos homens não sofreram alterações e homens ainda são ensinados a odiarem o feminino.

Tal ausência de mudança na educação de meninos, geraram homens frustrados que ainda carregam a ideia do corpo feminino como posse ou meramente como objeto de desejo, como propagado pela cultura ocidental e europeia.

 

Toda violência começa com palavras:

De acordo com a filósofa francesa Simone De Bouvoir, homens são ensinados a rejeitarem tudo o que vem do feminino, na medida em que, enquanto o masculino é incentivado a ser incorporado e reproduzido, por ser visto como ativo, consciente e superior, o feminino, por outro lado, é visto como passivo, sem voz, inferior e está sujeito a ser discriminado e objetificado. Um exemplo, ao se observar a postura de mulheres que ocupam cargos de poder (como na política), notar-se-á que essas mulheres normalmente assumem um comportamento tido como masculinizado- seja pelo modo de se vestir, de falar ou de se portar-, pois se não fosse de outro modo, não seriam respeitadas em ambientes dominados por homem. Pelo contrário, se um homem assumir uma posição tida como feminina, acontece o oposto, e normalmente esse homem perde status e passa a ser discriminado por performar feminilidade. Tais cenários evidenciam a desigualdade no tratamento de gênero e uma violência que tem início na educação de meninos que são ensinados a evitarem tudo o que é tido como feminino. Logo, quando esse feminino se impõe, quando expressa a sua própria vontade e desejos, a misoginia enraizada nos homens aflora por ter a sua suposta superioridade ameaçada. Em suma, homens são ensinados a se atraírem por mulheres, mas não a amá-las e a violência de gênero não é espontânea, mas programada.

 

Há solução?

R. N Cornell, socióloga e ativista, afirma que os padrões de masculinidade hegemônicos são cada vez mais incompatíveis com a liberdade de mulheres e os responsáveis por relacionamentos desiguais e abusivos. Mas ainda há esperança, e a maior delas se encontra por meio de uma das mais poderosas ferramentas da humanidade: A educação. Cornell afirma que uma existência pacífica e mais equitativa com as mulheres pode ser alcançada através de uma educação masculina que não objetifique as mulheres ou repudiem tudo o que vem do feminino.

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