O governo do Distrito Federal informou, nesta terça-feira (24), que o Banco de Brasília (BRB) pode precisar de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio afetado por transações malsucedidas com o Banco Master.
O valor consta em um novo projeto de lei encaminhado à Câmara Legislativa do Distrito Federal, que prevê a oferta de imóveis públicos como garantia para viabilizar a captação no mercado financeiro.
Na sexta-feira (20), o Executivo local havia enviado uma primeira versão do texto aos deputados distritais, listando 12 lotes — entre eles áreas no Parque do Guará e uma área verde próxima ao Complexo Penitenciário da Papuda. A nova versão reduz a relação para nove lotes, exclui as áreas verdes e inclui novos terrenos no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).
Assim como na proposta anterior, o texto não informa o valor estimado dos imóveis. No entanto, estabelece que, se aprovado, os bens servirão para lastrear uma operação de captação de até R$ 6,6 bilhões.
Plano preventivo e sigilo
No início de fevereiro, o BRB apresentou ao Banco Central do Brasil um “plano preventivo” com medidas para recompor o patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez do sistema financeiro. O conteúdo do documento permanece sob sigilo, e o montante exato necessário para o reequilíbrio patrimonial não havia sido divulgado até então.
Imóveis listados como garantia
A nova lista inclui:
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Lotes F, G, H, I, C e B no SIA (Trecho Serviço Público), sendo alguns pertencentes à Caesb, CEB e Novacap;
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Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga — sede do Centro Administrativo do DF, desocupada há mais de uma década;
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“Gleba A”, com 716 hectares, pertencente à Terracap, sem detalhamento preciso do endereço.
Tramitação e debate
A Câmara Legislativa chegou a convocar reunião reservada para discutir a primeira versão do projeto nesta terça-feira, mas, com o envio do novo texto, o debate foi adiado para a próxima semana. Ainda não há data definida para votação.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, deve se reunir com os deputados na próxima segunda-feira (2) para apresentar esclarecimentos sobre a situação patrimonial da instituição. No mesmo dia, parlamentares devem realizar reunião a portas fechadas para deliberar sobre o encaminhamento da proposta.
Inicialmente, o governo esperava aprovar o projeto rapidamente, como ocorreu em 2025, quando a Câmara autorizou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. No entanto, aliados do governador Ibaneis Rocha indicam postura mais cautelosa desta vez.
O projeto que trata das garantias será o primeiro relacionado ao caso BRB-Master a ser votado após a operação Compliance Zero e a liquidação do Banco Master, no fim de 2025. A tramitação é vista como um indicativo do ambiente político na Câmara Legislativa, onde pedidos de impeachment contra o governador foram arquivados com base em pareceres técnicos, sem apreciação em plenário.







